Por vezes, não conseguimos entender direito as situações a que somos submetidos ou a que nos submetemos. É raro quando as percebemos no momento em que acontecem. Às vezes, só entendemos depois que elas passam e o depois, pode variar, de logo depois a muito depois.
Quando temos abundância constante, conforto, suprimentos, viveres, raramente nos permitimos entrar em contato com o que nos incomoda, agimos como personagens em rota de fuga de nós mesmos, desesperadamente buscando distrações e alentos para cabeças turbulentas, perturbações e problemas que vão se acumulando, confortável e traiçoeiramente…
Seja num local isolado, uma casa com recursos parcos, com mosquitos muitos, com umidade brotando da pedra, cozinhas vertendo água, enfim, com tantas adversidades e incômodos quanto pessoas boas e de bem. Seja na lembrança, invariavelmente pudemos estar um para o outro, cada qual com sua história e contribuição, pudemos trocar e gerar um grupo que evoluiu individual e coletivamente. Independente da nossa capacidade sempre individual de percepção e da nossa presença física.
Às vezes, para transformarmos algo em novo temos que remexer no que é velho
Naquilo que persistimos em carregar conosco, ocupando espaços físicos e lógicos
Físicos e mentais, criando desvios e distorções no perceber do que nos cerca
Às vezes, para invocarmos o que trazemos de velho, precisamos ouvir o que o outro, outra pessoa, traz de novo.
Velho pra um, novo pra outro; é fato, nada de novo nisso, os conceitos de novo e velho estão relacionados aos sujeitos da experimentação, suas histórias e experiências.
Precisamos ouvir o novo que está incomodando, precisamos perceber que somos todos bem mais parecidos de perto do que imaginamos, que nossas idéias tolas de exclusividades em privilégios ou problemas, são apenas idéias tolas de exacerbação de um individualismo nosso de todo dia, um individualismo sistêmico, impelido por opressão da nossa grande e funcional Sociedade.
Quando os velhos e novos vão se encaixando na nossa mente, nesse repositório da nossa história pessoal, vamos tranquilizando, vamos nos unificando com os demais, percebendo nossa singularidade e nossa ordinariedade, nossa humanidade.
Feliz ano novo, porque não dá pra vivermos um ano velho, dá pra se ter um carro ou um treco, mas o tempo é sempre novo, de fato, sempre estamos vivendo um novo e singular momento.
Um feliz ano novo, cheio de coisas novas que conversem, harmonizem com as coisas velhas e formem um todo diferente, um todo realmente novo. Nada sobre ou supernatural, simples e novo.
Um ano novo cheio de coisas novas, logo esse tempo desse ano novo passará…
Espero ter por anos e incontáveis anos novos, esse mesmo amor que me apaixona a cada dia, essa paixão doce que alegra a vida e a enche de ânimo.
Espero ter muitos anos novos pra planejar e anos velhos pra lembrar com vocês, Meus velhos amigos velhos e os novos também. Vocês que me ajudam a tomar mais noção de quem sou, a estar mais em paz comigo, que mostram que o que pra mim é ou foi um problema pode ser uma opção de saída e vice-e-versa .
Quero muitos mais anos felizes com vocês meus amigos, velhos ou novos, com vocês certamente ao lado.