A Nova Ordem Mundial

Bote num palco, ainda que imaginário, alguns atores e dê a todos eles um pouco de cada uma dessas características: conhecimento, ambição, interesses internos e externos, necessidades, poder, medo e soberania. O que veremos nos momentos seguintes a esta distribuição provavelmente será oriundo da tentativa destes agentes, de se organizarem, se conhecerem, medirem “forças” e sentirem os “efeitos” dos relacionamentos, estabelecendo que forma poderão ou terão que adotar para se organizar e atingir seus objetivos particulares.

Temos então caracterizada a situação do conflito iminente, a não ser que estes seres autônomos decidam, de uma forma quase kantiana, resolver as diferenças criadas pela sua existência e pelo exercício da vontade, partindo do pressuposto de que são todos iguais a tal “igualdade”.

Com o passar do tempo, observaremos que alguns indivíduos morreram, outros se agruparam, e a distribuição das características não seja mais a mesma do início, desenvolveram-se mecanismos de comunicação e defesa, mudando a forma com que se dão as relações entre eles, ou seja, como agem para conseguirem o que querem, ou coibirem o que não querem.

A dificuldade de se falar sobre este tema, mora tanto na complexidade inerente a sua própria definição enquanto conceito, como na observação, constatação da sua existência enquanto modelo. Podemos tentar atenuar esse quadro, mesmo que seja tal tentativa mera especulação acadêmica, pelo recurso à história, fazemos isso quase todos os dias de nossa vida para avaliarmos e executarmos os mais diferentes fatos e tarefas mas é bom deixarmos clara a utilização desse meio e sua finalidade.

Historicamente podemos considerar o equilíbrio de poder europeu e a bipolariadade pós segunda guerra como Ordens Mundiais bem claras quanto a determinação da importância dos atores e fatores na conduta dos negócios entre Estados-nação, teríamos então a concertação de forças visando o interesse dos Estados Soberanos membros do então “mundo” e o alinhamento conseqüente da divisão do globo em dois blocos capitalista e comunista.

Podemos então aproximar as observações de forma a obtermos um “modelo” mesmo que às vezes falho, um padrão de ordenamento, que orientará as relações entre os atores tornando possível atenuar o “grau de anarquia” em que se encontram estes, enquanto Estados.

E a novidade, onde fica a novidade? A novidade está ligada a formação, a constatação do modelo, que tende a ser distinto do anterior, permeado pelas mesmas e/ou novas características, incluindo ou excluindo atores, e processos, fenômenos e efeitos, onde hoje podemos enxergar a preponderância do capitalismo, o aumento substancial da importância dos agentes privados, as empresas transnacionais, a volatilidade das economias, a exclusão social, a globalização, o alinhamento político, o descaso social , as migrações, a exacerbação do fundamentalismo religioso, as novas relações trabalhistas…

Qual será a conseqüência do conflito entre os interesses Privados, os das Sociedades e os dos Estados, como distinguir a influência destes agentes nesta intrincada teia de relacionamentos e articulações ?

Uma resposta para A Nova Ordem Mundial

  1. Laise disse:

    Muito bom mesmo….Adorei essa sua crítica!
    :)

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